â Diga-me, Olive, como você conseguiu fazer esse cara ficar tão envolvido com você? â perguntou Rachel, inclinando-se para a frente e apoiando o queixo na palma da mão.
â Hum, não sei bem o que você quer dizer. Eu não fiz nada. Não acho que ele esteja envolvido comigo.
Quer dizer, sim, ele me disse que me quer e que quer algo sério. à chocante para os amigos e familiares dele? Ele nunca teve um relacionamento sério antes?
'Ah, querida, ele definitivamente é.'
Balancei a cabeça, não acreditando que Lucas, de todas as pessoas, pudesse estar tão a fim de mim.
"Você é a primeira garota com quem ele se envolve seriamente desde a Ivy", disse ela. Não deixei de notar a careta que se formou em seu rosto por uma fração de segundo. Franzi as sobrancelhas ao ouvir Ivy. Nunca tinha ouvido o nome dela antes. Sinceramente, não sei o nome de muitas das mulheres com quem Lucas ficou, além de Janessa.
"Quem é Ivy?" perguntei.
"Ivy era namorada do Lucas na faculdade. Ela morreu no mesmo acidente que o John. Aquele que deixou o pai do Leo em coma por um ano." Ela abaixou a cabeça, cutucando as laterais das unhas.
"Quem é John?", perguntei, sentindo um turbilhão de emoções com a resposta. Morto. O ano passado foi um inferno para Leo e Lucas. Entre o que ouvi sobre Francesca e agora Ivy, estou surpreso que Lucas ainda esteja de pé.
"Nossa, esses caras não te contam nada. O John era o irmão mais velho do Leo." Meu coração se acalmou, sentindo muita saudade do Leo dessa vez. Ele tinha perdido o irmão no ano passado e agora o pai. à incrÃvel como ele ainda é tão gentil e cheio de energia. Como ele consegue manter um sorriso tão sincero no rosto?
'Eu não fazia ideia.'
Deixei meu rosto se encher de tristeza. Me senti culpada por não saber, apesar de não ter como obter essa informação de antemão. Pensei nos dois e me perguntei como eles conseguiram passar o ano passado. Quando Leo me contou a história de Francesca, ele disse que eles se apoiaram um no outro, provavelmente por causa da dor. Sinto que, apesar de eles dizerem que está tudo bem, eu não deveria estar namorando os dois. Não quero causar um rompimento na amizade deles quando eles precisam um do outro. Tenho certeza de que eles provavelmente são mais como irmãos do que amigos agora.
"à uma história triste, então não estou exatamente surpresa que não tenham lhe contado", ela disse, tomando um gole de sua bebida.
"Há quanto tempo Ivy e Lucas estavam juntos quando ela morreu?" Fiquei curioso para saber quanto tempo durou o relacionamento mais sério dele antes de terminar abruptamente.
"Três anos. Eles se conheceram no último ano do ensino médio, mas só começaram a namorar no verão antes do primeiro ano da faculdade."
Meus olhos se arregalaram de surpresa por um momento. Lucas pode ser sério. Ele pode ser muito comprometido se quiser. Não sei os detalhes do relacionamento dele com Ivy, mas para ter durado três anos, deve ter sido bom. à verdade que Julius e eu estávamos juntos há mais de um ano e ele me traiu. Acho que a duração de um relacionamento não é o fator mais determinante para o quão bem um relacionamento está indo, ou estava.
"Faz um tempo."
Eles estavam felizes. Lucas tinha planejado pedi-la em casamento naquela noite. John a distraiu o dia todo para que Lucas pudesse preparar tudo sem que ela percebesse. Eles estavam a caminho quando foram atingidos.
Rachel parecia prestes a chorar agora, lembrando de tudo. Nossa, meus olhos queriam marejar só de pensar nisso. Parecia uma cena trágica de filme. Eu conseguia imaginar o Lucas todo arrumadinho com o Leo ao seu lado, esperando ela chegar e, em vez disso, ser recebido com notÃcias mórbidas. Como superar isso?
Ele se recusava a namorar qualquer pessoa. Nem olhava para outras mulheres. Só depois de uma festa, onde houve um drama com o Leo e uma garota, o Lucas voltou a sair com mulheres. Não sei bem o que aconteceu, mas todos nós ficamos felizes em vê-lo saindo com outras mulheres. Só alguns meses depois percebemos que ele não estava mais saindo com ninguém. Percebemos que ele estava saindo com outras pessoas. Ele passou por muita coisa, Olive. Você precisa ter cuidado, porque ele se apegou muito a você.
Senti meu coração se despedaçar e se recompor dentro do peito. Só que não voltou a se apertar da mesma forma. Senti uma dor profunda por Lucas. Ele, de fato, passou por muita coisa. Estou aqui, insegura e imatura em relação às mulheres que costumavam fazer parte da vida dele quando ele, de forma tão óbvia, me contou a verdade sobre terminar com Janessa. Ele está falando sério sobre me querer. Ainda estou nervosa e com medo de deixá-lo entrar completamente no meu coração. Não quero ser magoada da mesma forma que Julius me magoou.
Não quero entregar meu coração tão facilmente desta vez. Lucas pode ter passado por muita coisa, mas eu também. Ele vai ter que me mostrar que me leva a sério. Ele não pode simplesmente dizer isso, e não pode ser algo que a famÃlia dele tente me convencer. Preciso ver com meus próprios olhos. Preciso acreditar com meus próprios olhos. Caso contrário, vou continuar oscilando neste pêndulo de emoções inseguras.
"Obrigado por me contar."
Rachel e eu conversamos um pouco mais, tentando manter o assunto leve. Ela me disse que voltaria para Nova York assim que terminasse os estudos. Ela sente falta do barulho e do ar frio e estagnado daqui. Disse que sente falta até do metrô, o que me fez rir.
"Rachel te fez boa companhia." A voz de Lucas veio de trás de mim, interrompendo meu riso.
"Ela fez. Ela é ótima."
"Que bom que você pensa assim." Ele beijou o topo da minha cabeça ao passar por mim, sentando-se ao meu lado. Ele sorriu para mim de um jeito tão fofo. Era um sorriso que eu nunca tinha visto antes. Ele parecia tão feliz, como uma criança pequena cheia de alegria.
'Você terminou de trabalhar?'
"Claro que sim. Estou com tudo em dia agora, então você tem toda a minha atenção. Desculpe, tive que trabalhar." Ele pareceu muito triste com o fato. Achei cativante que ele quisesse passar tanto tempo comigo que tinha adiado o trabalho.
"Não se desculpe. Seu trabalho é importante. Aliás, você deveria se certificar de estar sempre em dia com ele. Não fique para trás por minha causa", eu o repreendi levemente. O canto direito do seu lábio se ergueu em seu meio sorriso caracterÃstico.
"Farei qualquer coisa que você me disser."
"Claro que sim." Revirei os olhos, sem acreditar.
"Vou provar para você. Diga-me o que fazer", ele me incentivou.
"Ok, tudo bem. Me conta o que te levou a dormir com tantas mulheres." Isso o pegou de surpresa. Ele jogou a cabeça para trás, surpreso. Seus olhos encontraram os meus com um olhar intenso, mas ele ficou quieto. Imaginei que ele faria isso, e foi por isso que perguntei.
â Veja bem, nem tudo o que eu lhe digo é verdade. â Expliquei meu ponto.
"Rachel, foi ótimo te ver. Me manda uma mensagem dizendo onde você está hospedada e eu vou te dar uma passadinha. Rose e eu precisamos conversar em particular." Ele tinha um tom sério, me fazendo sentir como uma criança prestes a levar uma bronca por ser uma pirralha. Rachel percebeu a tensão e me lançou um olhar. Ela se levantou e deu um beijo na bochecha de Lucas ao se despedir.
"Foi um prazer conhecê-la, Olive. Espero vê-la mais vezes antes de ir embora." Ela acenou para mim da porta. Retribuà o aceno, mas meus nervos estavam à flor da pele. Eu não tinha certeza do que Lucas ia dizer, e agora me sentia idiota por ter dito o que disse. Qual era o sentido daquilo?
Lucas se virou da porta, sua atenção voltada para mim. Ele caminhou até mim com uma expressão intimidadora no rosto. Engoli o nó na garganta devido ao nervosismo. Quando chegou perto de mim, puxou minha cadeira, virando-a para ele. Suas mãos repousavam no encosto da cadeira enquanto ele olhava fixamente nos meus olhos azuis. Ele me surpreendeu quando encostou a testa na minha, balançando a cabeça para que ela se esfregasse em mim. Então, ele caiu de joelhos, deitando a cabeça no meu colo. Ele parecia tão destruÃdo ali, mexendo com as cordas do meu coração.
â Desculpe. Eu não devia ter pedido para você me contar. â Suspirei, passando os dedos pelos seus cabelos grossos e sedosos. Ele balançou a cabeça no meu colo. Não olhou para mim quando começou a falar.
â Não se desculpe, Rose. Eu disse que faria qualquer coisa que você pedisse, e falei sério. à difÃcil para mim compartilhar. A única pessoa que sabe disso é o Leo. Ninguém da minha famÃlia tem a mÃnima ideia.
Tenho quase certeza do que ele está falando, mas preciso ter certeza. Quero saber como ele se sentiu. Quero ouvir o que aconteceu com ele da própria boca, mas também não quero pressioná-lo se ele não estiver pronto.
â Não precisa me contar agora. Eu nunca disse que precisava me contar agora. Pode esperar, se não estiver pronta.
Eu sou um idiota.
â Não, eu quero te contar. Vejo que isso está te corroendo e odeio isso. Me faça um favor e continue brincando com meu cabelo enquanto falo. Acho que não consigo olhar para você enquanto conto essa história. â Sua voz já soava tão vulnerável. Ele estava se expondo para mim.
â Eu consigo fazer isso. â Passei os dedos pelos cabelos dele novamente para tranquilizá-lo. Ele me deu um pequeno aceno de cabeça antes de respirar fundo.
"Saà para uma festa com o Leo. Ele tinha perdido o irmão, e eu recentemente perdi minha namorada de longa data. Eles faleceram no acidente em que o pai do Leo se envolveu."
â Rachel me contou. Sinto muito, Lucas â sussurrei, com a compaixão evidente na voz.
â Claro que sim. â Ele balançou a cabeça em desaprovação. â Era o último ano do Leo e, graças a uma garota idiota, ele estava sendo rejeitado por todos, então decidi levá-lo comigo para uma festa no campus. Mandei fazer uma identidade falsa para o Leo, para que ele pudesse beber comigo e tudo mais. Chegamos lá e a garota que estava espalhando aqueles boatos sobre ele também estava lá. Eu tinha oferecido a gente ir embora, mas o Leo não quis dar essa satisfação a ela. â Tenho certeza de que o Leo se sente culpado por isso agora. Ele tinha omitido essa parte quando me contou a história.
'Nós festejamos e eu estupidamente deixei minha bebida sem supervisão. Não sei por que fiz isso. Acho que, como homem, nunca imaginei que algo pudesse acontecer. Depois de uns 30 minutos, comecei a me sentir estranho, então fui até o banheiro no andar de baixo. A fila estava muito grande, mas de alguma forma consegui subir, procurando nos quartos um que tivesse banheiro. Encontrei um no final do corredor. Começa a ficar nebuloso depois disso. Seja lá qual for a droga que me deram, tomou conta de mim naquele momento. Lembro-me de deitar na cama e adormecer. Lembro-me da sensação de mãos pequenas percorrendo meu corpo.' Seus ombros começaram a tremer contra mim. Eu queria impedi-lo, mas sabia que ele precisava terminar a história. Contendo as lágrimas dos meus olhos, ouvi atentamente. Esfreguei minha mão em seus cabelos, cumprindo minha promessa de brincar com eles enquanto ele falava.
Lembro-me de tentar me acordar, mas meus olhos não abriam mais do que um pouco. Eu perdia e recuperava a consciência. Minhas calças estavam abaixadas enquanto eu tentava me segurar. A sensação de uma mão no meu pau me acordou ainda mais, mas a droga era tão forte que dificultava meus movimentos ou meu raciocÃnio. Lembro-me da sensação de pânico antes de desmaiar novamente. Meus olhos se abriram mais uma vez e eu vi a garota que havia espalhado aqueles boatos sobre o Leo pulando no meu pau. Ainda me lembro de como ela se sentiu, já que não se deu ao trabalho de colocar camisinha em mim enquanto me estuprava.
Sua voz falhou ao ouvir a palavra estupro. Meu colo estava molhado com as lágrimas dele, e as minhas, escorrendo pelo meu rosto. Eu não queria falar. Queria dar a ele uma chance de terminar a história antes que eu o interrompesse novamente.
Quando acordei, encontrei o Leo lutando contra ela. Os detalhes são confusos, mas me lembro de boatos piores sobre ele na escola. Me senti uma idiota. Não conseguia acreditar que algo assim tinha acontecido comigo. Não era possÃvel. Eles não acreditaram no Leo, e ele me disse para não contar a ninguém também. Ele não queria que eu passasse pelo ridÃculo, então assumiu as consequências do meu estupro. Lucas passou os braços em volta da minha cintura, me abraçando forte enquanto mantinha o rosto enterrado no meu colo. Senti um soluço escapar do seu peito, que partiu meu coração em dois.
"Comecei a dormir com mulheres para tentar recuperar a parte de mim que ela tomou. Queria provar que o que ela fez teve pouco efeito, mas foi uma esperança idiota."
'Não, Lucas! Você não é idiota. Ela te estuprou. Nada disso foi culpa sua, absolutamente nada.' Chorei por ele, abaixando-me e abraçando-o da maneira mais constrangedora. 'Sinto muito que isso tenha acontecido com você. Sinto muito que você tenha passado por algo assim.'
Segurei-o por um tempo, deixando-o chorar, deixando nós dois chorarmos. Finalmente, ele levantou a cabeça e me pediu para me deitar com ele. Nos abraçamos forte, mais forte do que nunca, enquanto adormecÃamos juntos. Eu o massageava sem pensar, tentando aliviar seus problemas, apesar de saber que não é assim que um trauma funciona.
"Eu te amo, Rose", ouvi-o sussurrar enquanto dormia.
Certamente não ouvi direito, não é?
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