Papai ligou, mas eu ignorei. Eu não queria falar com ele naquele momento, principalmente com a mamãe. A culpa é dele por eu ter perdido todos esses anos com ela. A culpa é dele por ela ter tido que fugir. Como ele pôde machucá-la daquele jeito? Eu observava a mamãe dormir, me perguntando como ela o suportou por 10 anos. Ela era forte à sua maneira.
Aproveitei esse tempo para ligar para minha médica e fazer um exame. Ela solicitou ao hospital em que eu estava a coleta de sangue e o exame. Eu teria os resultados em duas semanas e, assim que ela os tivesse, conversarÃamos sobre as opções. Ela então agendou um exame de mama para o final do mês. Fui ver como minha mãe estava novamente, pois ela ainda estava dormindo.
â Desculpe incomodá-la, Nancy. â Falei com a enfermeira na mesa redonda. â Você poderia, por favor, avisar minha mãe que fui tirar sangue se ela acordar se perguntando para onde eu fui?
"Claro, querida. Sem problemas." Ela respondeu com seu doce sotaque sulista. Eu só o tinha ouvido em filmes, tendo vivido no norte a vida toda. Era adorável de ouvir.
"Estou feliz que você tenha conseguido", minha mãe me disse no dia seguinte.
Ela dormiu o resto da minha visita na segunda-feira, mas mesmo assim fiquei ao lado dela, só voltando para casa depois que escureceu. Nem Lucas nem Leo me mandaram mensagem ontem nem hoje, o que foi ótimo. Sei que Leo está passando por muita coisa, e tenho certeza de que Lucas está ao lado dele. Eu mesma não mandei mensagem, achando que seria um incômodo agora.
"Ela me disse que eu receberia os resultados em algumas semanas."
Talvez você não esteja aqui para ouvi-los.
O pensamento fez meu peito apertar de dor. Uma sensação de depressão e opressão apertou meu coração. Eu queria curar o câncer dela. Gostaria de poder fazer algo por ela, mas não há nada. Meu celular vibrou uma vez, avisando que eu tinha uma mensagem.
Leo: Como está sua mãe?
Ele tinha acabado de perder o pai, mas estava me visitando. Ele não deveria estar se preocupando comigo.
Olive: Não está bem. Como você está?
Perguntei a ele, desejando que pudesse fazer ou dizer mais para fazê-lo se sentir melhor. Só o conheço há uma semana, mas nessa semana vi que Leo tinha um coração gentil. Ele é gentil e engraçado. à desajeitado, mas ainda assim, de certa forma, tranquilo.
Leo: Não muito bem.
Olive: Sinto muito, Leo. Posso fazer alguma coisa por você?
Tenho muita coisa para fazer agora, mas eu acrescentaria mais, se isso o ajudasse.
Leo: Me distraia.
Olive: Sem problemas! Você quer memes? Humor negro? Ou talvez um resumo da minha vida? Rsrs, brincadeira sobre o último.
Vou vasculhar a internet em busca dos melhores memes para fazê-lo rir, mas não tenho muita certeza de qual é o seu senso de humor.
Leo: Na verdade, o resumo da sua vida me pareceu a mais interessante das minhas opções. Haha.
Dei um tapa na testa com tanta força que quase acordei a mamãe. Ela se mexeu por um instante, respirando fundo. Ela ainda estava linda, apesar dos cabelos grisalhos.
Olive: Nossa, eu precisaria de muito álcool e umas 3 horas da sua vida. Rsrs.
Leo: Eu trago a bebida se você me disser o que gosta de beber, porque eu claramente não sei.
Ele se referiu à bebida que escolheu para mim na boate do túnel na sexta-feira.
Olive: Combinado! Traga uÃsque, preciso sentir a queimação, e uÃsque sempre me faz falar sobre coisas mais profundas da vida. Telhado de hospital parece bom?
Sinceramente, acho que nunca contei sobre o meu passado para ninguém, além do Davis. A Hailey sabe muito sobre mim, mas mesmo com ela, eu não tinha contado sobre a minha mãe ou o meu pai até a semana passada, quando descobri que minha mãe tinha câncer e precisava de alguém para conversar.
Leo: Ã, tudo bem. Vou chegar por volta das 19h hoje. Espero que não tenha problema. O Lucas também vem. Não consegui fazer com que ele me deixasse em paz.
Outro tapa forte na testa fez minha mãe se mexer. Tenho certeza de que minha testa está vermelha agora. Suspirei, porque contar a Lucas sobre a minha vida é diferente de contar a Leo. Parece mais Ãntimo, o que eu não gosto.
Olive: Nesse caso, vou precisar de mais álcool.
Leo: Sem problemas. Obrigado, Olive. Agradeço.
Isso foi o suficiente para me fazer sentir melhor em relação a tudo aquilo. Respirei fundo, deixando o nervosismo ir embora.
Olive: Te peguei, Leo! Aliás, me chame de Liv.
Leo: Certo, Liv. Te vejo às 7.
Voltei a me concentrar nos estudos, sem tentar ficar para trás no último ano. Parece impossÃvel sair do buraco que se cava se faltar muito ao trabalho ou à s aulas.
"Lá está ela, a mulher do momento", Leo me recebeu de braços abertos enquanto eu passava pela porta do terraço.
Não tinha certeza se a porta se trancaria atrás de mim, então deixei um bloco de madeira como cunha. Leo me recebeu com um grande abraço. Senti seus braços me envolverem e me apertarem com força. Ele respirou fundo, encolhendo os ombros e fungando ao se afastar. Tentava conter as lágrimas. Eu conseguia ver meu futuro nele agora mesmo. Provavelmente estarei do mesmo jeito em uma semana.
"Eu também ganho um desses?", Lucas perguntou com um sorriso irônico, os braços abertos.
Pensei nisso por um instante, mas Lucas não me deu muita escolha. Ele me abraçou, apertando-me delicadamente. Eu me derreti no abraço, envolvendo-o também. Seu perfume de sândalo e baunilha atacou meus pulmões, me deixando tonta de tesão por um instante. Fui eu quem me afastei primeiro, quando percebi que aquele abraço havia se tornado um longo abraço.
"Certo, onde está o uÃsque?", perguntei, olhando ao redor.
Lucas me entregou a garrafa.
"Sem óculos?" perguntei.
â Não. A garrafa é para você. O Leo e eu estamos bebendo cerveja â explicou Lucas, segurando um pacote com seis cervejas.
â Perfeito. â Sorri. Abri a garrafa, virando uma boa quantidade, sentindo como se tivesse incinerado meu peito. Lucas e Leo me encararam com os olhos arregalados enquanto eu virava um quarto da garrafa de uma só vez.
"Droga", Lucas murmurou com um sorriso irônico, como se gostasse de ver como eu conseguia lidar com a bebida. Leo, por outro lado, franzia levemente as sobrancelhas, preocupado.
"Por onde você quer que eu comece?", perguntei a Leo, porque o objetivo desta noite é fazê-lo se sentir melhor, mesmo que seja às minhas custas.
"Para começar, conte-me sobre a sua infância." Leo sorriu. O coitado provavelmente não percebe que está pedindo os piores anos da minha vida.
â Certo, um segundo. â Bebi mais uÃsque, para surpresa deles.
"à tão difÃcil assim para você se abrir?" Lucas levantou uma sobrancelha.
â Você vai ver. Acho que a gente devia se sentar. â Apontei para as cadeiras dobráveis ââdispostas ali, provavelmente pelos funcionários. Depois que cada um de nós se sentou, respirei fundo e mergulhei de cabeça.
"Cresci em New Hampshire, numa casa pequena numa estrada sinuosa. Não tÃnhamos vizinhos próximos e, olhando para trás agora, sei que foi de propósito. Meu pai não queria que os outros ouvissem os gritos." Os dois se entreolharam por um momento enquanto eu olhava para o chão. Tomei outro gole.
"Minha mãe, meu pai e eu só éramos uma famÃlia perfeita em público, mas, atrás de portas fechadas, meu pai abusava da minha mãe. Não sei quando começou nem por quê, mas, desde que me lembro, eles brigavam. Sempre começava com gritos, terminava com coisas sendo atiradas e, por fim, ele batia nela."
â Olive... Liv, você não precisa. Desculpe por não ter percebido. â Leo balançou a cabeça.
'Não, está tudo bem. Já é tarde demais. Já bebi bastante.' Sorri. 'De qualquer forma, meu pai era lutador de MMA, então os socos dele eram sempre fortes. Uma vez, fiquei na frente da minha mãe, tentando impedi-lo de machucá-la, mas num acesso de raiva, ele me empurrou para chegar até ela. Bati a cabeça na quina do balcão da cozinha, abrindo um corte na testa.' Toquei a cicatriz, lembrando-me do calor do meu sangue escorrendo pelo rosto. Preciso continuar esta história agora que comecei.
Um mês depois do incidente, minha mãe nos deixou. Ela não me levou com ela e nunca mais me contatou até a semana passada. Meu pai me criou dos 10 anos até o segundo em que completei 18. Ele me ensinou a lutar e a me manter segura, mas o homem não demonstrou nenhum afeto. Nem um único abraço ou um simples "eu te amo". Ele era frio e, nos primeiros anos, estava determinado a encontrar minha mãe. Eu precisava cuidar de mim mesma, já que ele havia se tornado alcoólatra. Eventualmente, ele percebeu que não a encontraria e desistiu. O que só o mergulhou ainda mais no álcool. Leo e Lucas estavam tão quietos que ouviam atentamente. Leo olhou para mim com profunda preocupação enquanto Lucas tinha as mãos em punho ao lado do corpo, parecendo furioso.
'No meu oitavo ano, uma professora percebeu meu talento e me fez concorrer a uma bolsa de estudos em uma escola particular com altas taxas de admissão para alunos em universidades da Ivy League. Meu pai se recuperou nessa época, percebendo que estava fracassando como pai. Ele teve que me levar de carro até a escola, já que era muito longe e não havia ônibus. Os alunos de lá me provocavam bastante, já que eu era o bolsista que veio do nada.' Eu mexi no cordão que saÃa da minha calça, sentindo a necessidade de mexer em alguma coisa enquanto falava.
"Odeio gente assim. Dinheiro não faz uma pessoa. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso, Liv", disse Leo, pegando minha mão e apertando-a.
'Obrigada, mas eles definitivamente pensavam diferente. Eu me saà bem nos estudos e trabalhei meio perÃodo para economizar para a faculdade durante a maior parte do ensino médio. Eventualmente, recebi minha carta de aceitação na Columbia, e isso fez tudo valer a pena. Eu era bem protegida no ensino médio por causa da minha falta de amigos. Então, nunca fui a uma festa do ensino médio, nem tive um namorado. Hailey foi quem me tirou da minha bolha no primeiro ano da faculdade.' Sorri ao pensar nela.
"Ela me levou à minha primeira festa, onde dei meu primeiro beijo por causa de um jogo de cartas idiota. O cara fez a carta cair para poder me beijar. O nome dele era Adam, e ele era veterano. Ele tentou me convencer a fazer mais, mas eu recusei, e quando ele não aceitou um não como resposta, eu o espanquei."
â Claro que sim. â Lucas sorriu para mim com orgulho, me fazendo sorrir também.
'Até hoje, ainda não posso ir a nenhuma festa na fraternidade.' Soltei uma risada. 'A Hailey ainda encontrava outras festas para nós, e durante o segundo semestre do primeiro ano, conheci o Julius.' Suspirei, lembrando-me dos sentimentos que eu tinha por ele um dia. 'Ele foi meu primeiro namorado, mas eu ainda era virgem e não queria entregar o que eu tinha depois de ter guardado por tanto tempo. Nós namoramos e, eventualmente, ele me pediu em namoro. Eu, estupidamente, disse sim, e na primavera do segundo ano, dormi com ele pela primeira vez. Eu deveria saber que ele estava me traindo. Que cara ficaria com uma garota por um ano e ficaria bem sem dormir com ela o tempo todo?'
"Se fosse com você, eu estaria", respondeu Leo rapidamente, me fazendo corar um pouco.
'Sexta-feira passada, eu o peguei transando com minha colega de quarto, Clover, sabe Deus quantas vezes. Ele tentou me dizer que não significava nada, mas não importava. Eu não perdoo infidelidade, nunca.' Olhei para Lucas enquanto dizia isso; não sei por que senti a necessidade de que ele soubesse disso. Ele acenou com a cabeça para que eu continuasse.
"Foi quando Hailey me ofereceu para ficar com ela e me obrigou a ir à boate onde conheci esse cara." Apontei para Lucas com um sorriso. "Era para ser uma transa de uma noite só para mostrar ao Julius, e a mim mesma, que eu estava ótima."
'Certo, espera, então você está me dizendo que eu sou só o segundo cara com quem você dormiu?', Lucas perguntou com um sorriso irônico.
â Sim, é isso mesmo. Não fique tão convencido. Enfim, eu te conheci e o vi de novo, e aqui estamos. â Resumi.
â Espera, você não disse por que está aqui. O que está acontecendo com a sua mãe? â Leo inclinou a cabeça para o lado.
"Meu pai me ligou na noite em que você me deixou", contei a Leo. "Ele me disse que minha mãe o havia contatado. Ela está em um hospÃcio aqui. Eu não tinha certeza se queria vê-la depois do jeito que ela me deixou, mas não conseguia negar a garotinha dentro de mim que queria sua mãe. Minha mãe me contou a versão dela das coisas e agora estou usando o pouco tempo que me resta para colocar o papo em dia e conversar o máximo que podemos. Ela tem câncer de mama e vai me fazer um exame de sangue. Tiraram meu sangue ontem e os resultados sairão em algumas semanas, mas ela não tem muito tempo de vida. Provavelmente não estará mais por perto quando eu receber os resultados."
Dizer isso em voz alta me matou, fez meu coração se partir. Uma gota d'água caiu na minha calça, me fazendo pensar que estava chovendo, até que percebi que era uma lágrima. Comecei a chorar sem perceber. Leo se ajoelhou diante de mim, me puxando para um abraço apertado. Eu só chorei mais forte em seus braços. Eu não tinha percebido o quão triste eu estava. Entre contar a eles a história da minha vida, o álcool e o abraço, eu estava desabafando.
"Estamos aqui por você, Rose." A voz de Lucas veio do meu lado. Ele enxugou minhas lágrimas enquanto Leo continuava me abraçando.
â Desculpa. Eu deveria estar te confortando, Leo. â Funguei enquanto minhas lágrimas diminuÃam. Ele se afastou, me soltando. Enxuguei o resto das lágrimas com a manga.
â Você já fez isso. Sinto muito por ter feito você nos contar os segredos da sua vida. Sinceramente, eu não esperava que fosse assim. Você é uma pessoa tão brilhante. Imaginei que me contaria essas coisas maravilhosas sobre a sua vida. Liv, você é incrÃvel! Considerando tudo o que você passou, estou surpreso que você ainda consiga sorrir tão lindamente. Você se importa o suficiente para consolar alguém que conheceu há uma semana. Obrigada â ele sussurrou antes de beijar minha testa, me surpreendendo. Seus lábios eram macios e quentes, e eu ainda conseguia senti-los na pele quando ele se afastou.
O resto do nosso tempo foi gasto conversando sobre coisas frÃvolas. Rimos à s custas de Leo e Lucas enquanto eles recontavam histórias embaraçosas um do outro. Eles brigavam de brincadeira quando ficavam chateados com as histórias muito embaraçosas. Dei uma gargalhada alta deles, fazendo-os parar. Os dois sorriram para mim, abraçados.
"à melhor eu voltar. Mamãe provavelmente vai acordar uma última vez antes de dormir de novo."
"Podemos ir?", perguntou Lucas.
â Sim, eu adoraria conhecer sua mãe antes que a gente não possa mais â acrescentou Leo, levando um tapa na cabeça de Lucas.
"Idiota, não fale assim", ele o repreendeu. Ri de novo, sentindo-me em paz pela primeira vez. Talvez fosse o álcool no meu organismo, mas concordei.
â Certo, mas não falem alto, e lembrem-se, ela tem câncer. Ela não está com a melhor aparência. â Apontei o dedo para eles, numa espécie de aviso.
â Sim, senhora â Leo cumprimentou, me fazendo rir novamente.
"Então venha." Acompanhei-os até o quarto dela.
Estávamos todos bêbados, sem dúvida, pois cambaleávamos um pouco. Lucas e Leo pareciam colegiais com suas risadas e seus "shhhh". Eles ficaram sóbrios quando chegamos ao quarto da minha mãe. Ficaram eretos, pigarreando e puxando o cabelo para trás. Os dois eram quase gêmeos, com os mesmos trejeitos.
"Mãe?", chamei-a baixinho. Encontrei-a sentada na cama com um livro grosso no colo.
"Ei, Livie, eu estava me perguntando para onde você foi." Ela sorriu docemente para mim.
"Você está a fim de conhecer alguns dos meus amigos?", perguntei timidamente.
â Tem certeza? Quer que eu os conheça? â Ela parecia tão feliz, quase como se eu tivesse dito que ela não morreria esta semana.
â Ã, quero dizer, se você estiver a fim. â Eu cutuquei as laterais dos meus dedos enquanto falava.
"Claro!" Ela sorriu, sentando-se mais ereta.
"Entrem, pessoal", gritei. "Mãe, este é o Leo e este é o Lucas." Apontei para cada um deles.
â Ah, entendi. â Mamãe ergueu uma sobrancelha, avaliando Lucas, já que sabia em parte o que ele significava para mim. â à um prazer conhecer vocês, rapazes lindos. Sou Abigail Rose, mãe da Olive. Podem me chamar de Abi. â Esqueci que o nome de solteira da mamãe é Rose. à engraçado o Lucas me chamar de Rose.
"O prazer é todo meu, Abi." Lucas lhe deu um sorriso deslumbrante, fazendo meu coração disparar ao vê-lo.
"Ã bom conhecer a mulher que criou Olive", acrescentou Leo com seu doce sorriso.
"Vocês dois parecem educados, mas, infelizmente, não tenho tempo para conhecê-los melhor. Então, deixe-me dizer que, se algum de vocês machucar minha filhinha, eu vou rastejar para fora do meu túmulo e arrastar vocês para o inferno comigo." Mamãe me assustou por um momento com a forma casual como os ameaçou.
"Eu não pensaria em machucá-la", respondeu Leo primeiro.
â Você tem a minha palavra. Não farei nada além de agradar a sua filha â Lucas garantiu a ela, me fazendo corar profundamente.
â Ãtimo. â Mamãe acenou para os dois. Passamos mais uma hora juntos, nós quatro conversando. Foi bom ver a mamãe conhecendo os dois. Preciso levar a Hailey amanhã. Preciso que a mamãe conheça minha melhor amiga também.
"A gente devia ir. Está ficando tarde", eu disse à minha mãe, vendo-a bocejar pela quinta vez. Ela não queria que a gente fosse, mas eu sabia que ela estava ficando cansada.
"Tem certeza?", ela perguntou, quase tristemente.
â Sim, mas volto amanhã de manhã. â Beijei sua testa enquanto dizia isso.
"Tem certeza de que deveria estar faltando tanto à escola?" Ela estava preocupada com meus estudos.
â Sim, mãe, está tudo bem. Já falei com meus professores â garanti a ela. â Descanse um pouco. Vejo você amanhã.
"Certo, Livie. Boa noite."
"Boa noite, mãe."
Fechei a porta do quarto dela atrás de nós. Certo, agora como me despeço desses dois?
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