Chapter 34 of 38

Acordando

Loba Rejeitada1,498 words~8 min read

Addy

Um zumbido alto enche os meus ouvidos, mas gradualmente diminui. As vozes ao meu redor ficam mais claras. Mantenho os olhos fechados, tentando entender o que eles estão dizendo. Minhas mãos estão apoiadas em uma superfície dura e metálica com bordas elevadas. É desconfortável.

"Você pode voltar pra ele quando isso acabar, Phebe. O vínculo deles ainda tá intacto; precisa ser quebrado primeiro," a voz do meu suposto pai ecoa nos meus ouvidos.

"Você não pode fazer com que ele se apaixone por mim depois? Pra eu não ter que ficar ouvindo-o reclamar por ela ter morrido?" ela retruca.

Ele ri. "Eu tenho poderes, Phebe, mas não a esse ponto. Somente Sadarnuna pode escolher os parceiros. Você vai ter que conquistar o coração dele à moda antiga."

Ela rosna em resposta. "Ele não vai me deixar voltar pra vida dele, sabendo que eu tô envolvida com a morte dela. Ele não vai me dar atenção."

Ele zomba. "Isso é problema seu, não meu. Quando o vínculo se romper, ele vai precisar de alguém. Se você estiver lá, ele pode se curar e escolher você como companheira."

Ela bufa. "Eu tentei isso antes de ela aparecer. Ele não me dava bola."

Seus passos ecoam pela sala.

"Ele não vai ter escolha agora. Ela não estará mais por perto. Depende de você fazer com que ele te ame."

Uma respiração roça no meu rosto.

"Ele ainda será um rei sem ela?"

Algo raspa no chão.

"Não sei o que vai acontecer quando ela morrer. Ele ainda será um Alfa, mas não tenho certeza sobre o resto."

Quase posso vê-la sorrir, mas há uma pitada de desgosto. "Eu queria ser a Luna dele, mas agora que ele foi escolhido pra outra coisa, é isso que eu quero. Ser uma Rainha é muito mais poderoso que ser uma Luna."

Um baque soa perto dos meus pés.

"Eu não posso fazer tudo, Phebe. Sadarnuna pode mudar o curso do tempo se quiser. Ele pode acabar sendo apenas um Alfa, não o escolhido."

"Como foi viver no corpo do pai dela todos esses anos, tornando a vida dela miserável? Eu sei que você fez a mãe dela ser desagradável com ela também," diz ela, parecendo presunçosa.

Ele fica em silêncio por um momento. "Eu não sabia que ela era a Mystic. Eu vi essa garota vivendo uma vida extraordinária como filha do Beta. Eu quis mudar isso. Mas eles sempre brigavam comigo. Eles diziam que não toleravam o que eu tava fazendo. Mas eles não eram páreos pro meu poder. Quando Sherman perdeu seu título e riqueza, isso o quebrou. Comecei a desaparecer, mas o estrago estava feito. A mãe dela ficou horrorizada. Ela tava sempre chorando sobre o quanto a sua preciosa filha sofreu. Foi hilário ver seus corações se partirem continuamente."

Antes que eu possa me conter, um grunhido escapa dos meus lábios. "Seu filho da puta. Eu sabia que algo tava errado na forma como eles me criaram; nenhum pai odeia tanto assim uma filha," digo, abrindo os olhos.

Ele se aproxima, sorrindo. "Foi muito divertido humilhar você sem parar. Se eu soubesse quem você era, não estaríamos aqui agora. Eu teria drenado seu poder há muito tempo."

Acima de mim, há um estranho objeto semelhante a um escudo inclinado para a direita. Seguindo sua direção, vejo uma cadeira ao lado, decorada com desenhos antigos. Olhando para baixo, percebo que estou deitada em cima de um escudo semelhante.

"Você sabe que isso não vai acontecer. A minha mãe vai impedir você de um jeito ou de outro," eu digo, revirando os olhos.

Suas mãos batem na mesa onde estou amarrada. "Ela não pode entrar no meu reino. Tá protegido por uma barreira mágica que a mantém afastada."

Eu franzo a testa. "Como você passou pela barreira que a Mystic colocou ao redor do castelo?"

Ele ri, o som ecoa na sala de pedra. "Tive ajuda de dentro. Alguém derrubou a barreira por tempo suficiente pra eu entrar."

Um rugido escapa dos meus lábios. "Quem diabos ajudou você?"

"Alguém que você nunca imaginaria. Ele me devia um favor e foi assim que me retribuiu," diz ele, apontando para a porta quando alguém entra.

Meus olhos se arregalam. "Kevin? Não, como você foi capaz de nos trair?"

Ele dá de ombros. "Não foi difícil. Depois que ganhei a sua confiança, foi fácil ter acesso a tudo."

Meus olhos lhe prometem a morte se eu sobreviver. Ele revira os olhos e se vira para o demônio que quero matar.

"Tô livre pra ir agora? Eu fiz o que você queria," diz ele, cruzando os braços.

Ewart acena com a cabeça e Kevin sai. Tento me mover, mas as restrições mágicas me prendem. Aperto os olhos para ver as gravuras no escudo acima de mim. Mystic se agita, piscando antes que seus olhos se arregalem de medo.

"Addy, precisamos sair daqui," ela diz, com os olhos percorrendo nervosamente.

Eu rosno de volta para ela. 'Como você espera que eu faça isso? Essas amarras mágicas não me deixam mover e estou presa nessa estranha mesa de escudos."

Ela estremece. "Tenta usar algum encantamento ou algo assim. Estou congelando por causa da coisa que eles injetaram em nós."

Eu procuro um plano na minha cabeça enquanto ouço interruptores sendo acionados. Eu o observo se movimentar pela sala. Ele se aproxima de um grande quadro que parece saído de um filme de ficção científica, cheio de botões e interruptores coloridos.

"Ewart," eu digo suavemente, "não podemos resolver isso sem a minha morte? Como pode um pai ser tão cruel com a sua própria filha?"

Ele faz uma pausa, olhando por cima do ombro. "Não é difícil. Sua mãe partiu o meu coração quando tentei de tudo pra agradá-la. Tentei ver você muitas vezes, mas ela me manteve afastado."

Respiro fundo. "Eu tô aqui agora, certo? Não podemos tentar fazer o que você queria há tantos anos?"

Seus olhos brilham por um momento antes que minhas esperanças desapareçam. "Boa tentativa. Mas não funciona com um coração que ficou cheio de ódio."

Eu levanto minha voz. "Você tá disposto a sacrificar uma pessoa inocente porque a minha mãe te machucou? Essa não é a melhor maneira de machucar a minha mãe."

Ele se vira, seus olhos ficam pretos. "É, sim. A sua morte vai partir o coração dela assim como o meu foi partido quando ela me deixou de lado. Isso é o que eu tava esperando, pra finalmente me vingar dela."

Ele caminha até a cadeira, apontando para a Phebe. "Quando eu mandar, aperta o botão verde. O sol vai sair de trás das nuvens em breve. Eu vou te dizer quando chegar a hora certa pra que o sol alimente essa máquina e me dê todo o poder dela."

Observo enquanto ele se acomoda na cadeira. Lágrimas brotam dos meus olhos. Ele não vai ouvir nada do que eu disser para salvar a minha vida. Fecho meus olhos, acionando a Mystic. Tentamos uma última vez quebrar esses laços. O chão treme violentamente enquanto canalizamos energia através da mesa, na esperança de quebrá-la.

Sua risada zombeteira enche a sala. "Vai em frente, se enfraqueça por mim. Essa mesa foi travada com magia. Não importa o quanto você tente, não vai quebrar."

A sala faz barulho, pedras caem no chão, mas a mesa não se move. Nós pressionamos mais, tentando canalizar o máximo de poder possível, mas não adianta. Meu corpo enfraquece e o tremor diminui até parar.

Phebe se agarra a um pilar. "Cacete, garota. Você é poderosa. Não admira que ele queira tanto o seu poder."

Sua voz corta a sala. "Remova a sua marca, Mystic. É a única maneira de poupar o seu companheiro da dor da ruptura do vínculo."

Abro os olhos. A Phebe está sorrindo para mim.

"Drake será meu dentro de uma hora. Você deveria fazer o que ele diz pra poupá-lo da dor da quebra do vínculo.

Eu olho para ela. "Vai pro inferno."

Ela gargalha. "Onde você acha que estamos? Aqui não tem todo o luxo a que você tá acostumada."

Posso ouvi-lo se levantar da cadeira, seus passos ecoam enquanto ele se aproxima de mim. "Faz isso, ou eu farei," ele ameaça.

Olho para o escudo pendurado acima de mim. "Não. Não vou apagar a minha marca," declaro.

Seu rosnado é tão profundo e ameaçador que me dá um arrepio na espinha. Suas mãos se juntam em antecipação.

~Não deixa ele nos tocar. Ele vai apagar a marca~ ~ela murmura na minha mente.

Reviro os olhos com o aviso dela, mas quando as suas mãos se aproximam do meu pescoço, uma explosão repentina e alta do lado de fora faz com que ele vire a cabeça em direção à porta. Suas mãos recuam apressadamente.

"PAREM!" uma voz reverbera por toda a sala.

As paredes tremem quando outra explosão acontece, fazendo com que destroços desmoronem e caiam. Através da poeira assentada, emergem as silhuetas de cinco homens, avançando em nossa direção.

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