"Ã isso aÃ!", disse Rose, praticamente pulando da cadeira.
Entramos em outro armazém abandonado e comecei a me perguntar como Davis encontrou esses lugares. Obviamente, isso deve ser altamente ilegal, considerando que eles trocam de lugar e têm guardas, mas ainda assim não me sinto como uma criminosa. Isso é algo que Rose adora, e eu adoro vê-la fazer.
"Você está pronto?"
'Tão pronta!', ela gritou, antes de cobrir a boca com os olhos arregalados. 'Desculpe, estou super animada.'
"Não se desculpe. Eu adorei." Inclinei-me para frente, beijando seus lábios macios com ternura. "Vamos vencer!" Ergui as sobrancelhas para ela, fazendo-a sorrir e assentir. Entramos e encontramos Carter do lado de fora da porta.
â Brilham os dedos! Não tinha certeza se a gente ia te ver ou não. Que bom saber que você decidiu ficar. â Ele a abraçou forte.
"Cuidado para não me matar", ela gritou enquanto ele a esmagava.
"Ah, foi mal. Esqueci como você é delicado, apesar das suas habilidades de luta incrÃveis." Ele sorriu. Carter tem o sorriso mais caloroso de todos, o que só o deixa mais animado. "Entre, Twinkle Toes."
Ela entrou na minha frente quando Carter me encarou. Eu sabia que ele tinha algo a me dizer, mas não tinha certeza se ia levar uma bronca ou se só me fariam perguntas. "Ela parece feliz. Feliz mesmo. Continue assim, garoto." Ele me deu um tapinha forte nas costas, me fazendo dar um passo à frente para não cair.
Corri atrás de Rose, sentindo-me de alguma forma aceita por Carter agora. Era dessa famÃlia que eu sentia que precisava obter o selo de aprovação. Eu já tenho a Hailey. Carter e Davis são os dois que me faltam.
"Brilham os dedos dos pés!", gritou Davis do outro lado da sala. De alguma forma, sua voz ainda podia ser ouvida em meio à multidão barulhenta e à música grave. Nos encontramos no meio do caminho, e Davis abraçou Rose novamente. Ele foi gentil e, mesmo segurando-a com força, não a apertou. Ele a levantou alguns centÃmetros. Quando a colocou no chão, afagou sua cabeça como se ela fosse uma criança pequena.
"Desta vez, te dei um desafio maior. Está pronta?", ele perguntou, de braços cruzados e com o rosto sério. Era como se ele tivesse dois modos. Um era o seu lado paternal e doce e o outro era o lÃder ou treinador sério. Era incrÃvel a rapidez com que ele conseguia alternar entre eles.
"Estou sempre pronta, Davey", ela murmurou, fazendo-o franzir a testa. Ele obviamente não gostava do apelido.
"Eu disse não para esse nome", ele a lembrou, dando um peteleco na testa dela. Ela a esfregou com um beicinho, me fazendo sorrir com suas palhaçadas.
â Que pena. â Ela mostrou a lÃngua para ele.
"Vá se arrumar, sua merdinha." Ele apontou para trás com o polegar e ela se afastou. "Você tem muito trabalho pela frente. Ela vai te dar um inferno."
"Estou ansiosa por isso." Sorri enquanto a observava. Ela já estava se sacudindo, se espreguiçando e pulando. Meu Deus, essa mulher é tudo!
Ela foi colocada com outra garota, mais ou menos do mesmo tamanho que ela. A garota reconheceu Rose, sorrindo largamente. Não era a reação normal que ela tem quando alguém a vê. Isso me deixou um pouco nervosa e acho que Davis percebeu, porque cruzou os braços e sorriu.
"Essa é a Dora, a Passarinha. Ela é leve como a Twinkle Toes. Eu disse a ela que seria um desafio. Espero que ela esteja pronta." Fiquei um pouco nervosa por um momento, mas então me lembrei que minha Rosa tem espinhos afiados. Ela vai ficar bem. Ela vai vencer esta luta como todas as outras.
"Ela consegue", assegurei a Davis, observando o ringue atentamente.
â Fico feliz que você pense assim. â Ele deu um tapinha forte nas minhas costas, do mesmo jeito que o Carter tinha feito. â Acho que estão tentando me machucar. Talvez eu devesse começar a ganhar massa muscular também. Maldito Viking.
Rose começou a dançar pelo ringue, mas sua oponente também. Elas talvez estivessem um pouco equilibradas demais. Cada soco e chute era bloqueado ou evitado por ambas. Eu podia ver Rose pensando enquanto lutava. Ela planejava seu próximo movimento, calculando a melhor forma de derrotar aquela garota. Seus olhos sempre estiveram muito atentos, observando suas oponentes com cuidado. Ela sempre tenta encontrar suas fraquezas, seus pontos fracos.
Rose deu um passo à frente e Dora deu um passo para trás. Eu pude ver algo se encaixar na cabeça de Rose, e eu sabia que ela tinha entendido agora. Ela tinha descoberto e Dora estava prestes a levar uma surra. Rose deu dois passos rápidos para a frente, fazendo Dora recuar, mas a velocidade a pegou desprevenida e a fez bater na grade do ringue. Rose a socou bem no estômago, cutucando seu flanco duas vezes.
A música mudou para "Lying From You", do Linkin Park, o que animou Rose ainda mais. Ela recuou quando Dora recobrou os sentidos e tentou socar Rose. Ela desferiu um golpe forte, mas, como Rose se moveu, seu punho não atingiu o contato como ela esperava. Dora não conseguiu se equilibrar e quase caiu para a frente, tendo que dar um passo para não cair de cara no chão. Rose usou isso a seu favor, socando Dora na lateral do corpo novamente por trás. Em seguida, deu uma joelhada na bunda de Dora.
"Ela acabou de comer cachorro-quente?", perguntei a Davis, rindo.
â Acho que sim â respondeu ele com um sorriso divertido. â Parece que ela está se divertindo.
Rose girou em torno de Dora, evitando mais socos e chutes. Dora estava desequilibrada e se cansava rapidamente, enquanto Rose se mantinha animada. Ela chutou Dora com força no braço, fazendo-a dar um passo para trás. Ela foi recebida com a gaiola nas costas novamente. Rose começou a esmurrá-la até que a garota desistisse. Rose parou imediatamente, estendendo a mão para a garota para ajudá-la a se levantar. Ela ajudou a carregar Dora para fora, ensanguentada e machucada.
"Você foi ótima! Obrigada pelo desafio", ouvi Rose dizer. Ela é perfeita demais.
"Vou melhorar e da próxima vez vou ganhar", Dora prometeu a ela.
"Estou ansiosa pela revanche." Rose sorriu genuinamente para ela, deixando-me saber que ela estava falando apenas a verdade.
â Dora, vá se arrumar. Bom esforço. â Davis gesticulou para a garota ir para o fundo. â Twinkle Toes, você tem mais uma luta, depois é o campeonato. Este ano vamos nos juntar a outros ringues de luta underground, então será maior do que antes. Achei que seria legal ter uma gama maior de lutadores.
"Legal! Mal posso esperar." Rose pulou de alegria. Surpreendentemente, ela não parecia cansada.
â Tenho certeza de que não. Vá buscar o seu dinheiro e te vejo na próxima luta. Que bom que você decidiu ficar, Liv. â Ele apertou a mão no cabelo dela. Ela fez beicinho, agarrou o pulso dele e tirou a mão dele do cabelo dela.
"Pare, ou você vai me fazer um afro."
"Você não para de usar esse apelido, então eu não vou parar de fazer carinho na sua cabeça." Ele riu, repetindo o gesto mais uma vez, mesmo com Rose lutando contra ele. Ele a superou em força, então ela não conseguiu segurá-lo. Sorri, divertido, para os dois. Fiquei feliz em saber que Davis e ela tinham um relacionamento próximo. Queria que Davis fosse o pai dela. Pensando bem, acho que eu ficaria com muito medo se ele fosse.
"Tchau, Davey", disse Rose, cutucando-o mais um pouco antes de pegar minha mão e nos expulsar. Pegamos o dinheiro dela e fomos para o carro. Carter deu um high five quando passamos por ele, parabenizando-a pela vitória.
"Como você quer comemorar?", perguntei a ela quando saÃmos do estacionamento.
"Tenho algumas ideias", ela disse num tom muito sugestivo, que fez meu pau tremer nas calças.
"Não me provoque, Rose, porque estou sempre com fome de você."
"Que bom, porque eu também estou." Ela se inclinou para me beijar na bochecha. "Não se distraia enquanto dirige", disse ela, levantando o top esportivo que usava, expondo os seios. Ela pegou minha mão livre e a colocou sobre o seio. "Porra, essa garota vai me matar."
"Você está linda demais para sair", Lucas sussurrou em meu ouvido na porta da frente.
"Tanto faz", diz aquele que é gostoso demais para o seu próprio bem. Revirei os olhos para ele. Estávamos saindo para encontrar Leo, Lisa e Rachel, que tinham vindo de novo à cidade. Decidimos experimentar a boate recém-inaugurada. Dizem que é difÃcil entrar, mas o dinheiro do Lucas e do Leo tornou a tarefa fácil de resolver.
"Você vai dançar comigo a noite toda, Rose?", ele me perguntou enquanto Ãamos para o carro.
"Talvez eu dance com a Lisa ou a Rachel também." Pisquei para ele, provocando-o do meu jeito.
â Tudo bem, então quando você dançar com eles, eu danço com o Leo. Vai estar quente demais para você resistir e você vai vir me implorar para dançar.
"Eu adoraria ver isso." Ri, me perguntando se Leo algum dia concordaria. Provavelmente não.
â Então considere feito. â Ele piscou para mim novamente antes de sair da vaga.
O ar estava frio, com o inverno se aproximando. Quanta neve teremos este ano? Lucas ligou o aquecedor, apontando todas as saÃdas de ar para mim. Ele percebeu que eu estava congelando com meu vestido curto, mesmo com o casaco. Quando chegamos, Lucas abriu a porta e me abraçou, segurando meu quadril com a mão e me puxando para o seu lado. Ele não queria me soltar por nada.
Leo, Lisa e Rachel já estavam lá dentro. Nós os avistamos perto do bar assim que entramos. Enquanto caminhávamos, notei Lisa se encolher ao se levantar. Eu conheço esse estremecimento, é o estremecimento de alguém que está machucado. à o estremecimento de alguém que levou socos na lateral, ou no estômago, muitas vezes. Ninguém percebeu, e por um momento pensei que talvez fosse minha imaginação. Conforme a noite avançava, percebi que não era. Ela não dançava e não se mexia, a menos que fosse absolutamente necessário. Mantinha um sorriso no rosto, tentando esconder o fato de estar machucada.
"Lisa, vem comigo ao banheiro?", perguntei, sabendo que precisava ficar a sós com ela para que ela pudesse conversar comigo.
â Hum, tá, claro. â Ela se levantou devagar, tentando não demonstrar dor. Ela se saiu muito bem.
A fila para o banheiro estava longa, o que, pela primeira vez, me deixou feliz. Isso me deu mais tempo para questioná-la. Sei que ela não vai se abrir imediatamente e provavelmente vai negar de cara no começo.
"O que está acontecendo com você, Lisa?"
â Ah, sabe, nada demais. Tenho trabalhado, evitado meu pai e consolado minha mãe... o de sempre. â Ela deu de ombros.
"Não foi isso que eu quis dizer." Franzi a testa.
'O que você quer dizer então?
"Quer dizer, por que você está machucada? Quem te bateu?", perguntei a ela, sem mais rodeios.
"Do que você está falando?" Ela agiu confusa, como se eu estivesse falando outra lÃngua.
â Eu conheço essa vacilada. Eu já vi essa vacilada. Você está machucada aqui. â Cutuquei o ponto que eu tinha certeza de que ela estava machucada, para reforçar meu ponto. Ela se encolheu, sugando o ar entre os dentes.
â Não sabia que você era tão atenciosa, Liv â reclamou ela, suspirando. â à ele de novo. Detesto admitir, mas voltei para ele. Ele jurou que não faria isso de novo, e eu acreditei estupidamente nele. à isso que eu ganho em troca.
"Lisa, você não vai se punir assim. Vamos te tratar, e depois você vai me dizer onde esse saco de merda mora." Falei com firmeza, certificando-me de que Lisa entendesse que aquilo estava acontecendo, quer ela quisesse ou não.
Lisa me mostrou seus ferimentos no banheiro. Ela tinha um monte de hematomas no peito. Tipo, por todo o torso, com cores variadas. Isso me fez perceber que aquilo estava acontecendo o tempo todo. Alguns hematomas tinham começado a cicatrizar, enquanto outros estavam começando a escurecer. Isso me deu um frio na barriga. Me senti transportada de volta para quando eu era criança e via minha mãe coberta de hematomas.
"Onde ele está, Lisa?", perguntei a ela com os dentes cerrados.
"Ele está na minha casa. Ele não vai embora, Liv. Disse que se mataria se eu o deixasse. Ele não me deixa mais receber ninguém", disse Lisa, parecendo assustada enquanto falava.
â Não se preocupe, Lisa. Depois desta noite, ele não vai mais te incomodar.
Olive: Preciso do especial covarde, por favor.
Mandei uma mensagem para Davis e Carter. Eles tinham inventado codinomes para as surras que levam, e o especial para covardes era reservado para homens abusivos.
Pai adotivo: Juro que mato aquele garoto se ele tocar em você.
Davis respondeu quase imediatamente. Eu provavelmente deveria ter sido mais claro.
Olive: Não, Lucas, não para mim.
Respondi rapidamente, tentando não matar Lucas.
Shiny Man: Estaremos lá, Twinkle Toes.
Carter respondeu.
Pai adotivo: Não me provoque um ataque cardÃaco assim. Me mande o local e a hora. Estamos aqui para te ajudar.
â Nós vamos cuidar disso hoje à noite, Lisa. Vamos.
â Espera! Por favor, não conte para o Lucas! â Ela agarrou meu pulso, parecendo prestes a chorar.
"Não vou esconder isso dele, Lisa, mas vou te dar a chance de contar você mesma. Você cometeu um erro e espero que não se repita. Estamos aqui para te ajudar e não precisa ter medo de nos pedir ajuda." Puxei-a para um abraço, tentando demonstrar todo o meu apoio. "Você também é forte, Lisa, então pare de agir como se não fosse."
Não dei a ela a chance de discutir enquanto nos tirava do banheiro e nos colocava em meio à música alta. Arrastei-a até o grupo, cutucando o ombro do Lucas. Sussurrei em seu ouvido para que ele fosse falar com a Lisa e o apoiasse. Lisa o puxou para longe do grupo, e eu os observei enquanto conversavam.
"O que está acontecendo?", Leo me perguntou primeiro.
â Vou deixar a Lisa te contar, mas o Lucas e eu já estamos indo. Tenho uns negócios para resolver.
â Hum, tudo bem? â Leo ficou confuso, mas não insistiu no assunto.
Observei Lucas abraçar a irmã com força enquanto ela chorava. Fiquei feliz em vê-lo abraçá-la e não repreendê-la. Ela não precisa disso agora. Ela precisa de amor e apoio. Eles se aproximaram do grupo depois de um momento.
"A gente se vê mais tarde. Vou roubar essa", disse a todos, agarrando a mão do Lucas e indo embora.
"Para onde estamos indo, Rose?", ele perguntou, surpreso.
â Você vai me levar para dar uma surra naquele miserável. Davis e Carter vão nos encontrar lá. Tenho certeza de que você também está bravo, mas deixe-me mostrar a ele que uma mulher sabe revidar.
Lucas me puxou de volta, e a princÃpio presumi que fosse para me impedir, mas quando vi seu rosto sorridente, percebi que não era o caso. Ele se inclinou e me beijou com tanto carinho, que me fez derreter nele como manteiga.
"Você é absolutamente perfeita, Rose. Mostre o caminho, eu sigo."
Dirigimos em direção ao endereço que Lisa me deu, avistando Davis e Carter já lá. Subimos as escadas em direção à porta, atrás da qual deveria estar aquele babaca. Bati na porta com a raiva a mil. Ela se abriu e revelou um homem alto, de fÃsico esguio. Ele tinha músculos definidos e ombros largos. Era um homem muito bonito, mas saber o que ele fazia com Lisa o tornava repugnante em todos os sentidos.
"Posso ajudar?" Ele sorriu para mim como se eu fosse um presentinho que lhe tinham entregado.
Ah, você pode me ajudar, tudo bem.
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