Drake
Ando em direção ao homem que ousa menosprezar a própria filha. Seus olhos se arregalam de surpresa quando ele vê o filho do Alfa olhando para ele em resposta às suas palavras.
"Você não tem o direito de fazer isso!" Eu grito para ele. "Ela é uma pessoa, não um objeto a ser descartado. Ela é a sua filha, merecedora de amor, e não deve ser tratada como lixo.
Além disso, não tolerarei que ninguém trate um futuro membro da minha matilha dessa forma. Meu pai logo vai ficar sabendo desses maus-tratos e você pode perder a sua posição de Beta."
Seu olhar foca no chão antes de encontrar o meu novamente. "Ela é a minha filha, e você não pode opinar em nada sobre a criação dela."
Suas palavras apenas alimentam a minha raiva, meu corpo treme de raiva. Diego dá um passo à frente, fixando os olhos nele enquanto eu luto para manter a minha forma de lobo sob controle, para não despedaçá-lo. Ele rosna: "Cuidado com o seu tom. Eu não me importo se você é o Beta atual. Meu pai vai apoiar as minhas razões pra te matar."
Sua cabeça se inclina para trás com o tom primitivo da minha voz. Um sorriso se espalha pelo meu rosto quando ele percebe que meu lobo está no controle, pronto para se transformar.
"Peço desculpas, Drake. Eu não deveria ter falado com o futuro Alfa da nossa matilha dessa maneira. O que traz você à minha casa hoje?" Seu comportamento muda.
Meu olhar permanece fixo no dele enquanto respondo: "A Addy tá aqui pra pegar as coisas dela. Ela vai se mudar pra casa da matilha."
Seus lábios se curvam em um largo sorriso, confirmando o que a minha irmã me disse antes. "Sério? Ela encontrou o companheiro?"
Eu concordo. "Sim. Ele quer que ela vá morar com ele na casa da matilha. A Myra vai levá-la pra comprar um vestido pra festa de aniversário dela amanhã."
Seus olhos se voltam para a porta pela qual a minha irmã saiu. "Por que o companheiro dela não faz isso? Não é responsabilidade dele sustentá-la?"
Eu esperava que ele somasse dois mais dois sem que eu tivesse que soletrar. Ele claramente não entende a resposta à sua pergunta. "Ele vai acompanhar, pra garantir que ela pegue tudo o que deseja. Ela não tem muitas coisas aqui, segundo o que contou. Você queria que ela saÃsse de casa hoje, né? Independentemente de quem seja o companheiro dela?"
Ele dá um passo para trás, seu olhar encontra o meu novamente. Seu sorriso se transforma em uma carranca, suas sobrancelhas franzem. "Eu esperava que ela encontrasse o companheiro hoje. Eu não entendo por que você tá aqui em vez do companheiro dela."
Posso ver as engrenagens girando em sua cabeça antes que seus olhos se arregalem em compreensão. Me viro para a Addy e Myra. "Myra, ajuda ela a pegar tudo o que ela quer levar pra nossa casa. Addy, leve só o que você realmente gosta. Cuidaremos do resto depois."
A Myra pega na mão da Addy. Percebo um leve tremor. Ela suspira. "Não vai demorar muito. Não tem muita coisa que eu queira levar daqui."
Concordo com a cabeça, liberando a mão dela para que elas possam subir os degraus e entrar na casa. Minha atenção se volta para o pai dela, que se aproxima da varanda assim que elas estão fora do alcance da voz dele. Ele olha nervoso para a porta. "Ela é a sua companheira? Como isso é possÃvel?"
Me aproximo dele na varanda. "Sim, ela é. Você tem algum problema com isso?"
Sou uns bons dez centÃmetros mais alto que ele, forçando-o a olhar para mim. "Eu nunca imaginei que ela seria a sua companheira. Pensei que talvez fosse de um Beta ou Gamma, mas nunca de um Alfa."
Um grunhido baixo ressoa no meu peito, fazendo-o recuar. "Como assim? Você deveria saber que com a sua linhagem, ela provavelmente seria acasalada com um membro de alto escalão da matilha. A maioria das mulheres nascidas Alfa ou Beta formam pares com membros de alto escalão porque têm o poder de guiar e proteger a matilha. A sua esposa não era filha do Beta?"
Ele acena com a cabeça e seu olhar retorna para a porta enquanto ele abaixa a voz. "Por favor, tenha misericórdia. Não conta pro seu pai como nós a tratamos. Eu sei que não a tratamos bem, mas a minha esposa foi amaldiçoada... Não pudemos ter o filho que querÃamos que fosse o seu Beta."
Eu rio duramente. "O que faz você pensar que eu teria escolhido o seu filho como meu Beta? Meu pai deixou essa decisão pra mim. Se esse tal filho inexistente fosse tão cruel quanto você, de jeito nenhum eu o teria escolhido."
Sua cabeça volta para mim. "à tradição que o filho do Beta atual se torne o próximo Beta. Você teria quebrado a tradição?"
Eu dou de ombros. "Não sei, isso nunca aconteceu. A Deusa da Lua te deu uma filha incrÃvel e você abusou dela, não mostrou nenhum amor. E a Deusa sempre sabe o que faz. Meu pai tá revisando os registros, tentando descobrir a verdade. Você conhece as consequências da falsificação de registros, certo?"
Ele engole em seco. "Sim. Por favor, pede pro seu pai não nos banir. A matilha da minha esposa não vai nos aceitar de volta agora que tá sob o comando de um novo Alfa que não quer nada com ninguém da linhagem dela. Os antigos lÃderes não tiveram filhos, então o filho do Beta se tornou o Alfa quando atingiu a maioridade. Não temos pra onde ir."
Belisco a ponta do meu nariz. "Não sei o que o meu pai vai decidir. Acredito que você não deveria mais ser membro dessa matilha, mas não sou eu quem decide. Posso aconselhá-lo, como o futuro Alfa, mas a decisão final é dele."
Ele olha para a varanda de madeira em que estamos. "Minha famÃlia tá nesse bando há gerações. Todos morreram nessa terra, enterrados no cemitério da famÃlia. Eu implorarei a seu pai e a você, se for preciso. Se eu perder a minha posição, isso também acabará com a minha linhagem familiar. Todos os machos da nossa linhagem são Betas há mais de quinhentos anos nessa matilha. Eu soube que quando ela nasceu mulher, tudo tava acabado. Você teria que escolher o filho de outra famÃlia pra assumir esse papel. A tradição da nossa famÃlia morreu quando a minha esposa descobriu que não podia ter mais filhos."
Eu o agarro pela garganta. "Isso não é culpa dela, mas você descontou toda a sua frustração nela. Já parou pra pensar que a Deusa da lua pode não ter te dado um filho por um bom motivo? Ela sabia como você trataria a sua filha e não quis que o filho homem fosse o menino de ouro enquanto ela era deixada nas sombras."
Ele engole em seco. "Nunca pensei assim... Se tivéssemos um filho, ela estaria em segundo plano porque ele teria sido criado como eu, pra ser uma figura poderosa pra apoiar o futuro Alfa da matilha. TerÃamos tratado ela melhor? Essa é uma pergunta que nunca será respondida."
Eu o libero. "Meu pai vai marcar uma reunião com você pra falar sobre isso. Se você contar a alguém sobre o que tá rolando entre a Addy e eu antes do meu anúncio na festa de Myra amanhã, você vai pagar o preço, e a sua esposa também. Fui claro? Preciso garantir que todos nessa matilha saibam quem ela é e o que ela se tornará. Isso não é mais da sua conta e não será discutido até que chegue a hora certa."
Addy sai de casa com uma pequena sacola na mão, olhando para mim com uma expressão chocada. "Entendido, Alfa. Você tem a minha palavra; Não vou dizer nada."
Estendo a minha mão para ela. "à melhor você manter a sua palavra. Você vai se arrepender se eu ouvir um sussurro que seja."
Ela pega a minha mão e nos viramos para descer os degraus em direção ao carro. Abro a porta e pego a bolsa dela, ajudando-a a se sentar. Quando fecho a porta, a mãe dela sai de casa, olhando para nós.
"Pra onde diabos ela tá indo?" ela cospe.
Ele coloca a mão no pulso dela enquanto ela tenta se aproximar do carro. "Querida, não. Ela encontrou o companheiro e tá se mudando pra casa da matilha. Eles vieram buscar as coisas dela."
Ela sorri. "Com quem ela vai acasalar? Um Gamma ou Ãmega? à impossÃvel que alguém superior queira ela como companheira."
Ele dá um pequeno sorriso. "Eu ainda não tenho certeza. A Myra a trouxe pra pegar as coisas dela e o irmão apareceu. Ela não trouxe o companheiro."
Isso não parece satisfazê-la, porque ela faz uma careta para ele. "Nada a ver. Ele não a deixaria ir a lugar nenhum sem ele."
Ele olha para ela. "Ele tinha deveres a cumprir, então não conseguiu vir."
Seu olhar gelado se fixa no meu. "Você sabe quem é o companheiro dela, né? Quem é o garoto de baixo escalão que agora é o provedor da nossa rejeitada?"
Não posso mais segurar o Diego. O desrespeito da mulher com a minha companheira passa dos limites. Ele avança tão rapidamente que não consigo impedi-lo. Meus olhos escurecem para um preto profundo e meus ossos começam a se mover, rasgando as minhas roupas. O pai dela intervém. "Não, Drake. Por favor, não!"
O Diego se lança sobre ela e ela grita: "Oh meu Deus. O que tá acontecendo com ele?"
De repente, um corpo bate em Diego, afastando-o dela. Meus olhos se voltam para ver a minha companheira em sua forma de loba, rosnando para mim.
"Diego, chega. Vamos. Eles não valem a pena. Você tava prestes a matá-la, mas ela vai aprender a não mexer com a Addy." Os olhos da Mystic encontram os meus.
Ela balança a cabeça para o Diego e dá a volta no carro. Ela volta para a sua forma humana e veste a minha camiseta enorme.
Então, tenho permissão para voltar. Estou com raiva de algumas coisas. A mãe dela falava dela como se ela fosse um lixo, indigna de alguém como eu. E a Mystic me impediu de despedaçá-la. Depois de vestir uma roupa limpa, agarro o seu pulso.
"Nunca mais interfira assim. Ela tava menosprezando você; e o Diego poderia ter te machucado" eu digo, com as narinas dilatadas.
Ela ri. "Ele foi pego de surpresa. Você tem que aprender a cuidar dos pontos cegos. E o Diego não me atacaria; ele é esperto."
Pisco para ela algumas vezes, então vejo a Mystic sorrindo para mim. Concordo com a cabeça lentamente, respirando fundo algumas vezes. "Você ficou em vantagem por um momento, mas eu teria te imobilizado no final." Viro para os pais dela, que estão olhando para nós. Sua mãe levanta um dedo trêmulo.
"Por que você a defendeu daquele jeito? Que tipo de loba ela é? Uma aberração?" Seus olhos estão arregalados.
Essa mulher simplesmente não consegue ficar de boca fechada. Sinto um toque suave no meu braço enquanto meu corpo começa a tremer novamente. "Drake." Sua voz fina corta a névoa que nubla a minha mente. "Por favor, podemos ir embora? Não preciso de mais nada daqui."
Respirando fundo para me acalmar, olho para os dois. "Vou deixar o seu marido explicar. Mas lembrem do meu aviso. Ela não é mais problema seu."
Coloco minha mão em suas costas, ajudando-a a entrar no carro. Entro e seguimos em direção ao shopping.
"Você acha que vamos achar o que queremos?" Ela pergunta, olhando para mim.
"Espero que sim," respondo, mantendo os olhos na estrada. "Estamos procurando há semanas."
Ela suspira. "Eu sei. à tão frustrante."
Estendo a mão e aperto a mão dela. "Nós vamos encontrar. Eu prometo."
Ela sorri. "Obrigada. Eu precisava disso."
Continuamos dirigindo em silêncio, perdidos em pensamentos.
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