Addy
De repente, somos arrastados para baixo, a sala se transforma em um túnel de luzes giratórias em tons do arco-Ãris. Luzes rosas, roxas, azuis e verdes nos envolvem enquanto atravessamos o túnel. Pressiono meu rosto no peito do Drake, seus braços me apertam, sua mão esfrega suavemente as minhas costas. Nunca fui fã de passeios radicais, e este está fazendo o meu estômago revirar. Logo tudo para, e estamos bem no meio de um coliseu.
Myra, segurando o Tate com força, pergunta: "Estamos em Roma?"
Eles balançam a cabeça. "Não. Bem vindos a Urnika. Foi aqui que a nossa espécie começou, há milhões de anos. Esse planeta está a anos-luz da Terra," diz ele, apontando para dois sóis.
Drake dá um passo à frente, segurando a minha mão. "à daqui que nós viemos?"
Tate se move para ficar ao lado dele. "Sim. Os machos na arena são lobos mais velhos, não acasalados, que desejam a mesma companheira escolhida. Eles lutariam até que um deles se submetesse ao vencedor. Não era permitido matar, mas as coisas poderiam ficar feias se o mais fraco se recusasse a desistir."
Um jovem com vestes reais se levanta, erguendo as mãos. "Bem-vindos à luta pela mão de Genna como companheira. Essa luta continuará até que um de vocês se submeta ao outro. Agora, que a luta comece."
Meu olhar se fixa em uma mulher deslumbrante sentada ao lado do homem. A voz de Mystic ecoa na minha cabeça: "Oh, minha deusa. à o Malcolm. Faz tanto tempo que não o vejo que esqueci o quão bonito ele é."
Tate aponta para ele. "Isso mesmo, Mystic. Esse é o seu companheiro. Ele foi coroado rei desse mundo pouco depois de te encontrar, e esse mundo viveu em paz por muito tempo antes de uma mulher chamada Girtha arruiná-lo."
Soloman estala os dedos e somos puxados de volta para o túnel do arco-Ãris, levados para um grande castelo. Uma jovem de cabelos castanhos claros está do lado de fora dos portões, vestida com uma capa com capuz. Ela anda de um lado para o outro, olhando para a floresta. Um homem emerge das árvores, vindo em sua direção. Seus olhos brilham em tons prateados, seu cabelo é preto como a noite.
"Girtha e Ewart," rosno, me surpreendendo.
"Ele é o prÃncipe das trevas. Vivemos com a Deusa da Lua, mas alguns lobos que entregam suas almas a ele residem em seu reino, que chamamos de "Terras Distantes." Seus seguidores causam estragos nas matilhas, dizimando-as. Ela tava tão desesperada para ter o que nunca poderia possuir que fez um acordo com ele para destruir a Mystic, a todo custo. Ela retirou tudo o que a Mystic representava, toda a alegria e paz que ela trazia. A Phebe sempre nasce de um membro de baixo escalão, Omega ou Gamma, mas ela acredita estar acima disso. Nessa cena, a Girtha tem como alvo o futuro companheiro da Mystic quando ela foi trazida de volta, quinhentos anos depois, para restaurar a paz.
Soloman estala os dedos novamente e somos transportados para um quarto, observando um casal fazendo amor debaixo das cobertas de uma cama enorme. Quando as cobertas são puxadas, vejo a Girtha debaixo de um homem enquanto ele transa com ela.
"Esse é o Axton, que deveria ser o companheiro da Mystic. Ela o seduziu uma noite, o que levou ao desastre." O túnel reaparece e somos levados para uma sala real. Os dois se sentam em tronos dourados, com a barriga arredondada. Uma jovem pequena está parada na base da escada, chorando.
"Vai," ordena Girtha.
Axton se levanta, com lágrimas nos olhos enquanto olha para a mulher abaixo. "Sinto muito, Ferônia. Eu não sabia que iria acabar assim. Eu, Axton Huntly, rejeito você, Feronia Massin, como minha companheira."
A mulher desmaia, apertando o peito enquanto o vÃnculo se rompe. Ela foge do local, indo em direção à s falésias a uma curta distância do castelo. Transformando-se em loba, ela salta da borda, desaparecendo nas ondas abaixo. Somos mais uma vez transportados pela estrada onde a Girtha está na floresta, com uma menina de cerca de oito anos. Lobos mortos cobrem o chão enquanto caminham até o Axton, que jaz sem vida. Um sorriso se espalha pelo seu rosto quando ela se vira para a jovem. "Você se tornará rainha agora, já que ele está morto. Esse é o momento que tanto esperávamos."
Dezenas de lobos emergem da floresta, rosnando para as duas e formando um cÃrculo ao redor delas. Eles se aproximam lentamente enquanto uma pessoa se transforma, olhando para o rei morto antes de olhar para ela.
"Você não tem coração. Ele está morto e você se juntará a ele em breve. Esse reino nunca conheceu a felicidade desde que ele rejeitou a verdadeira companheira por sua causa. Ele me fez prometer destruir você, se ele fosse morto." Os olhos do homem brilham como fogo.
Ela zomba. "Eu sou a Rainha e ela é a sua futura governante; você não pode fazer isso."
Ele sorri. "O rei tá morto, então sim, posso. Você não é nada agora sem ele do seu lado."
Ele sacode o pulso e os lobos se aproximam das duas despedaçando-as enquanto seus rosnados abafam os gritos. Mais uma vez, o túnel aparece e uma mulher de cabelos brancos é pressionada contra o peito de um homem, gritando e lutando para escapar.
"Por favor, me solta. Preciso me despedir dele," ela implora.
"Não seja idiota, mulher. Eu matei o Beta e escolhi você como minha companheira. à meu direito me tornar o próximo Beta desse bando, escolhendo quem eu quero," ele rosna.
Ele a solta e ela fica ao lado dele, levantando suavemente a cabeça flácida em seu colo. Ambos são jovens e sua respiração é irregular e curta, mas ele consegue dar um sorriso triste. "Eu sempre te amei. Eu espero que você saiba disso. Viva uma vida longa sem mim, Mystic. Eu vou te ver de novo."
Ela balança a cabeça, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Então, um sorriso cruza seu rosto enquanto as suas mãos batem no peito dele, fundindo-se. O outro homem tenta puxá-la, mas é inútil. As mãos dela estão cravadas em seu peito enquanto a luz flui dela para ele. Fica mais brilhante quanto mais tempo ela fica ali, até que a luz desaparece e ela cai no chão. Ela toca em sua marca, fazendo-a desaparecer enquanto um sussurro escapa de seus lábios. "Encontra outro companheiro. Você merece."
O homem fica de pé, embalando-a nos braços enquanto um uivo ecoa pela terra com tanta força que quebra o chão, abrindo-o e fazendo com que o outro homem caia na cratera. Ele balança o corpo sem vida nos braços antes de sair pela floresta, uivando de agonia.
"Nessa cena, vocês viram a Mystic e eu. Fomos companheiros por um breve perÃodo, mas ela me curou enquanto nos libertava da nossa marca. Fiquei ressentido com ela por muitos anos por me salvar daquele jeito e não procurei a minha próxima companheira até que tropecei nela, dez anos depois. Essa foi a única vez que sua prole não foi trazida a esse mundo. Magic tava lidando com outra matilha quando isso aconteceu. O homem que tentava reivindicá-la como a sua companheira era de outro bando que atacou, tentando assumir o nosso controle. Aniquilamos aquela matilha quando eles retornaram, restaurando o equilÃbrio. Essa matilha vinha destruindo lentamente matilhas menores, matando todos os machos e levando as fêmeas, transformando-as em reprodutoras. Foi quando essa prática foi inventada, mas pensávamos que tinha sido erradicada. Nós estávamos errados; sua matilha usou as fêmeas, forçadas a gerar filhotes durante anos sem o nosso conhecimento. Prometemos procurar e destruir cada matilha que adotasse essa nova forma de expandir a população. Eliminamos os altos lÃderes que permitiram que isso acontecesse e libertamos as matilhas. A Deusa da Lua derruba esses dois sempre que algo assim chama a sua atenção. Eu também volto para cuidar das coisas, geralmente como o Beta do Magic, enquanto procuramos lentamente pela Mystic para que eu possa protegê-la, garantindo que ela não sacrifique a sua vida por outro lobo. Ela já fez isso algumas vezes; uma vez ela fez comigo, outra vez foi quando um bom amigo dela ficou ferido e o médico da matilha não pôde ajudá-lo. Ela o curou de seus ferimentos graves que deveriam tê-lo matado, e logo depois ela morreu," ele me lança um olhar severo.
Drake e Myra ficam ali, boquiabertos. "Você tá dizendo que ela vai morrer?" ela pergunta.
Ele balança a cabeça. "Não, se ela não tentar curar ninguém com ferimentos que deveriam ser fatais, ela viverá uma vida longa. O problema é que quando a Mystic sente tristeza, ela se sente compelida a aliviar a dor. A Addy deve aprender a se afastar das pessoas, não importa o quanto a Mystic lute para voltar para elas."
Soloman estala os dedos novamente e somos depositados em uma masmorra onde uma mulher magra está acorrentada às paredes. Um homem entra, com as chaves tilintando, destranca as correntes e a arrasta escada acima. Nós os seguimos por um longo corredor até um quarto onde uma mulher está deitada, em estado frágil.
"Cure-a," ordena o homem.
Seus olhos estão vazios, seu corpo é frágil de fome. Mesmo assim, ela consegue se arrastar até a mulher, colocando as suas pequenas mãos sobre ela. O brilho não é tão forte como vimos antes, mas parece funcionar quando a mulher inspira profundamente. A mulher menor desmaia, enrolando-se no chão.
Ele a pega, carregando-a de volta para a parede e acorrentando-a novamente. Seu corpo treme quando ele sai, seus olhos se fecham lentamente.
"Aconteceu isso com ela uma vez, quando ela foi tirada de nós. Não conseguimos encontrá-la. Eles a usaram para curar os enfermos até que ela ficou tão fraca que morreu. Tô aqui pra evitar que isso aconteça novamente," diz ele, estalando os dedos.
Do nada, estamos de volta ao escritório onde tudo começou. Drake passa um braço em volta de mim enquanto nos sentamos, meu estômago revira por causa de toda a viagem.
"Cadê a Phebe? Quem é a humana dela dessa vez?" Tate pergunta.
Eu olho para ele. "à a Macie. Ela é a humana que carrega a loba."
Ele se vira para o Drake. "Você já teve algum relacionamento com ela?"
Drake rosna: "Prefiro não lembrar do passado".
Soloman se senta. "à importante, Drake. Nós precisamos saber."
Drake assente. "Ficamos juntos por uns três meses. Ela sempre afirmou que seria a próxima Luna. Faz mais sentido agora, sabendo o que faço e vendo a ambição dela por poder."
Eles trocam um olhar. "Com certeza... Precisamos saber se você já fez sexo desprotegido com ela."
Drake balança a cabeça. "Não, eu sempre me cuidei. Ela tentou me seduzir hoje de manhã, mas não conseguiu."
Tate exala profundamente. "Bom. Se ela tivesse conseguido, teria sido desastroso. Ela estaria carregando o seu filho. Basta uma única transa com ela; faz parte do acordo dela com o submundo. Companheiro ou não, ela pode conceber quando quiser, garantindo que o macho a engravide. à assim que as matilhas são destruÃdas; ela ganha poder e lentamente destrói o bando. Ela deve ter percebido a sua mudança quando se esforçou mais pra te levar pra cama."
"Terminei com ela ontem depois que descobri que a Addy era a minha companheira e vi como ela a tratava. Ela planejou ataques que deixaram a Addy toda machucada," diz Drake, esfregando o pescoço.
"Ela sabe quem é a Addy?" Soloman pergunta.
Eu concordo. "Ela tava no fundo da sala quando o anúncio foi feito. Ela saiu dali furiosa."
Tate grunhe. "Ela sabe que a Mystic tá aqui. Ela não reencarna há oitocentos anos, mas tá de volta pra ver se consegue destruir vocês e essa matilha."
Drake parece horrorizado antes de pigarrear. "O que precisamos fazer com ela?"
Os dois homens respondem ao mesmo tempo. "Temos que destruÃ-la, agora. Antes que seja tarde demais."
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