Chapter 14 of 38

Misericórdia e paz

Loba Rejeitada3,049 words~16 min read

Addy

O Drake me embala em seus braços, permitindo que a tensão se dissipe. Eu olho para ele, seu sorriso faz o meu coração palpitar. Enquanto tento me sentar, ele me mantém aninhada em seu colo, com os braços em volta de mim enquanto me viro para o Sherman.

"Addy, considere as suas palavras com cuidado," ele aconselha. "Eu tenho a palavra final sobre o destino deles, mas eles são os seus pais. Os anos de maus-tratos pesam muito na minha decisão."

Concordo com a cabeça, sentindo os braços de Drake apertarem a minha cintura, me puxando para mais perto. Seu calor penetra nas minhas costas, uma sensação reconfortante que ficou mais forte desde que fui aceita na matilha. Suas emoções são mais palpáveis agora, seu amor e cuidado fluem através de mim enquanto ele me abraça.

"E a casa nos arredores das suas terras? Em que estado está?" pergunto, e minha mão envolve seu braço.

Ele pega um livro, folheando as páginas antes de gritar: "Martin, você poderia se juntar a nós?"

Um homem mais velho entra, fechando a porta suavemente atrás de si. Ele inclina a cabeça em respeito. "Sim, Alfa?"

"A casa na fronteira, qual é o seu estado atual?" Drake pergunta, com os olhos examinando o livro mais uma vez.

Martin pondera por um momento. "Não tá dos melhores... Tá vazia há anos. Substituímos o telhado há alguns anos, quando desabou, mas não tá habitável. Queríamos perguntar se poderíamos demoli-la. Não serve pra nada."

Drake exala profundamente antes de se virar para mim. "Como isso não é uma opção, vamos discutir alternativas. O que você gostaria que acontecesse com eles?"

Eu esfrego as minhas mãos nervosamente, respirando fundo. "Eu não quero bani-los. Eles deveriam ter sido pais melhores, mas não estavam preparados pras consequências. Eles queriam um filho, e a Deusa da Lua não concedeu. O papai disse que eu não teria que lidar com eles, se não quisesse. Ele ainda vai ser o seu Beta?"

Sherman balança a cabeça. "Não, ele perdeu esse privilégio. Meu braço direito deve ser honesto e confiável. Ele provou que não possui essas qualidades."

"Se você tirar o título dele, é como tirar tudo. Existe outra casa onde eles poderiam morar? Uma menos importante que a casa do Beta?" Eu pergunto, com o olhar caindo para o chão.

Drake levanta meu queixo suavemente. "Addy, não seja tímida. Considere isso uma experiência de aprendizado. Enfrentaremos situações desse tipo no futuro. Não se sinta culpada por tomar essa decisão."

Sherman se recosta na cadeira, com os braços cruzados. "O Drake tá certo, Addy. Haverá momentos em que as suas decisões não serão fáceis. Minha esposa já derramou muitas lágrimas por causa de decisões difíceis. Precisamos resolver isso agora pra que você possa aproveitar a sua noite. Qualquer outra casa será um rebaixamento para os seus pais, já que ele perdeu a posição de Beta. Quem eu nomear como meu Beta se mudará pra casa deles até que o Ryan esteja pronto."

Fecho os olhos, respirando fundo. "E se mudarmos eles pra uma pequena casa, de um quarto? Eles vão ter que trabalhar.... As roupas e bens que não sejam relíquias de família podem ser confiscados. Transforma eles em Ômegas, pra que eles tenham que ganhar a confiança da matilha e contar com a generosidade dos amigos e membros da matilha, assim como eu tive que fazer. Vamos condenar os dois a doze anos de sofrimento. Coloca o meu pai pra patrulhar a fronteira, onde ele não vai poder usar o seu nome pra manipular outras pessoas. Ele vai ser informado de seus deveres."

Drake e seu pai abrem sorrisos largos. "Você tá se adaptando bem ao seu novo papel. Eu não teria pensado em tudo isso," seu pai sorri. "Martin, traga os dois de volta, por favor."

A porta se abre e meus pais entram novamente no escritório. Meu pai está visivelmente ansioso, enquanto a minha mãe permanece sem emoção. Ela realmente se sente tão indiferente sobre o destino deles? Ela nunca me amou. Eu era a filha indesejada, não o filho que ela tanto queria.

"Sentem," Sherman aponta para as cadeiras. "Nós decidimos a punição pelos erros de vocês. Paul, você perdeu o seu título de Beta. Vocês dois foram rebaixados ao status de Ômegas. Vocês mudarão da casa Beta pra uma casa de um quarto. Apenas heranças de família podem ser retiradas da casa atual. Todo o seu dinheiro, móveis e roupas permanecerão dentro da casa dos Betas, até que meu novo Beta decida o que fazer com eles. Vocês poderão recuperar os seus pertences quando eles forem descartados. Paul, você foi designado pra patrulhar a fronteira sob o comando do Cameron a partir de amanhã. Vocês vão ter que contar com a gentileza e o apoio da matilha. Amber, você vai trabalhar na cozinha aqui, servindo almoços pros membros da matilha, pra ganhar um salário pra cobrir as suas necessidades."

"Você não pode estar falando sério," minha mãe grita.

"Paul, controla a sua esposa antes que isso piore," Sherman rosna.

O papai se vira para ela e sua voz está fervendo de raiva. "Amber, cala a boca. Não fala mais nada. Se você falar, o Martin vai te escoltar, e você vai ter que me esperar lá fora."

Ela abre a boca para responder, mas o rosnado baixo do lobo do meu pai a silencia. Ele se volta para o seu Alfa, baixando a cabeça.

Drake se levanta, me tira do colo e caminha até a mesa. "Vocês farão isso por doze anos, o mesmo tempo que a Addy sofreu com a sua negligência."

Meu pai olha para ele. "Nós entendemos, Drake. Aceitamos essa punição. Poderia ter sido muito pior. Você foi generoso."

"Agradeça a sua filha por poderem continuar nessa matilha. Foi ideia dela mudar vocês de casa, em vez de bani-los. Apesar de tudo que vocês fizeram com ela, ela ainda tem um coração de ouro e quer dar uma chance de vocês melhorarem. Ela pode não querer interagir com vocês, mas vocês receberam uma segunda chance," Sherman bate os dedos na mesa.

Drake se vira para o Martin. "Leva os dois pra casa. Permita apenas que eles levem as relíquias de família. Nada mais pode ser levado da casa dos Betas. Peça aos membros da matilha que têm caminhões que ajudem na mudança. Eles não terão mais veículos. Eles terão que trabalhar e economizar pra comprar outro."

Os olhos da minha mãe são um turbilhão de emoções – ódio, arrependimento, tristeza. Sherman os dispensa com um aceno. Quando meu pai passa por mim, ele faz uma pausa, olhando para onde estou, sentada no sofá.

"Addy, eu tô grato pela sua misericórdia. Sei que erramos com você, mas por favor aceite a minha gratidão e arrependimento. Desculpa por tudo. Talvez um dia possamos consertar o nosso relacionamento. Se não, desejo que você tenha uma vida feliz com o seu companheiro," sua mão se contrai.

Envolvo os meus braços em volta da cintura do Drake, abraçando-o com força. Sinto uma lágrima cair, seguida por um soluço suave. Não os perdoo, mas isso pode ser um recomeço. Talvez, um dia, possamos conversar.

"Tchau, pai. Espero que você e a mamãe encontrem a felicidade em seus novos papéis. Não estou perdoando vocês, mas talvez no futuro possamos arrumar o que foi quebrado," dou um passo para trás.

Minha mãe se aproxima em seguida. "Suponho que você queira um pedido de desculpas meu também?"

Eu olho para ela. "Só se for sincero. O pedido de desculpas do papai foi sincero. Não quero nada de você se você não puder oferecer o mesmo. Eu sei que você tá sofrendo. Você perdeu a sua rede de apoio, sua riqueza e possivelmente seus amigos. Vai ser uma boa lição pra você. Os verdadeiros amigos ficam ao seu lado, não importa o quão ruim as coisas sejam. Se eles te abandonarem, eles nunca foram amigos de verdade. A Myra esteve ao meu lado em tudo. Isso é uma amiga de verdade."

Ela revira os olhos ao meu conselho, mas um pequeno sorriso surge em seu rosto. "Você pode estar certo, Paul. Nossa educação não foi das melhores, mas não podemos mudar o passado. Vamos juntar as nossas coisas antes que escureça."

Ela sai do escritório sem olhar para trás. Meu pai resmunga um pouco, mas sorri para mim antes de segui-la.

Drake se aproxima, envolvendo os seus braços em volta de mim, por trás. "Ela pode mudar de ideia. Se não, você ainda pode ver o seu pai."

Ele ri, pegando na minha mão. "Nunca os vi tão assustados. Eles nunca tiveram que fazer nenhum trabalho na vida. Talvez isso mude um pouco o jeito deles."

Ele me puxa para perto. "Eu sei que hoje foi um dia estressante. Que tal um passeio nos jardins?"

Myra levanta, se espreguiçando. "Boa ideia. Eu também quero dar uma caminhada."

Drake franze a testa para ela, mas toco em seu rosto. "Tá tudo bem se ela se juntar a nós? Tudo isso é novo pra mim. Vamos ter bastante tempo sozinhos mais tarde…"

Ele revira os olhos, mas vai até a porta. Ele solta a minha mão enquanto eu dou o braço para a Myra. Manteremos nosso relacionamento em segredo até o anúncio de amanhã. Sherman vem atrás de nós.

"Addy, você lidou muito bem. Você vai ser um grande trunfo pra matilha. Não deixa o medo te impedir de falar o que pensa. Aproveita essa noite e nos vemos na festa amanhã," diz ele, sumindo por um corredor.

Entramos nos jardins enquanto o sol se põe. Drake nos guia pelos caminhos, alguns passos à frente. Passamos a noite passeando e conversando até que o ar fresco da madrugada nos leva de volta para dentro.

***

Addy

Enquanto caminhamos pelo corredor, ele para na porta. Continuo passando por ele, indo em direção ao quarto da Myra. Ele agarra o meu pulso. Eu sei o que está por vir, mas não tenho certeza se estou pronta.

~Ele não vai forçar. Ele vai esperar até que estejamos prontas ~ a ~Mystic me tranquiliza.

"Onde você tá indo?" ele pergunta, levantando uma sobrancelha.

Olho ao redor, evitando seu olhar. "Pro quarto de Myra."

Ele ri, me puxando para perto dele. "Você acha que o Diego deixaria você ficar sozinha essa noite?"

A Myra ri, entrando em seu quarto. "Vamos, podemos conversar melhor aqui."

Percebo pessoas no corredor olhando em nossa direção antes de continuarem seu caminho. Eles devem estar se perguntando por que ele está comigo e não com a Macie. Seguimos a Myra até seu quarto.

Ele fecha a porta atrás de nós. A Myra e eu sentamos no sofá enquanto ele se senta na cama, de frente para nós.

"Isso tudo é novo pra você, Addy," diz a Myra, tocando no meu braço. "Quando um lobo macho encontra a sua companheira, ele nunca a perde de vista."

Olho ao redor do quarto, nervosa. "Não sei como isso funciona. Eu li sobre, mas vivenciar é diferente."

Ambos riem. "Nós vamos te ensinar tudo. Lição um: você vai ficar comigo essa noite. Nada de fugir. De agora em diante, passaremos todas as noites juntos."

"Mas..." começo a protestar.

"Não," ele interrompe, sério. "Se você tentasse ir embora, o Diego traria você de volta. Não acho que a matilha precise ver isso."

Imagino ele me carregando de volta para o seu quarto enquanto eu grito com ele. Isso definitivamente chamaria a atenção. Concordo com a cabeça, indo até o armário para pegar um cobertor e um travesseiro.

"O que você tá fazendo?" ele rosna.

"Pensei em dormir no sofá," digo, observando meus pés.

Ele para na minha frente, pegando o cobertor e o travesseiro e jogando-os no sofá. Sua mão traça suavemente meu rosto.

"Não. Você acabaria na cama comigo, de qualquer maneira. O que tá deixando você tão nervosa? Não vou tocar em você até que você esteja pronta. À medida que nosso vínculo crescer, você vai se acostumar. Temos que acasalar até o final do mês, pra que os meus pais possam deixar o cargo de liderança depois da formatura."

Eu respiro trêmula. "Não tenho certeza se posso dividir a cama com um homem."

"Com o seu companheiro, não com um homem. Sou o único homem com quem você terá que se preocupar. Nosso vínculo não nos permitirá estar com mais ninguém. Foi por isso que terminei as coisas com a Macie. O vínculo me fez focar em você."

Eu coro. "Eu me sinto da mesma maneira desde que nos conhecemos... Eu tava com tanto medo que você me rejeitasse. Achei que ficaria sozinha pra sempre."

"Eu disse que ele não iria rejeitar você. Ele tava doido pra te encontrar. Ele sabia que era você, antes mesmo de te ver. Seu cheiro tava em mim," diz a Myra, cruzando os braços.

"Tem mais uma coisa que você precisa saber," ele diz, pegando na minha mão.

Os dois estão sorrindo.

"Por que vocês estão olhando assim pra mim?"

O Drake ri, nervosamente. "Agora que nos encontramos, seu ciclo de cio começará em breve."

"Como é que é?" Eu me afasto dele.

A Myra ri da minha expressão confusa. "Acontece com todas as lobas depois que encontram o seu companheiro. Se você não acasalou antes, todos os machos não acasalados serão atraídos por você. É por isso que a maioria dos parceiros acasala rapidamente. Isso interrompe o ciclo."

Cruzo os braços. "Por que você tá tentando me apressar a fazer sexo?"

Os dois riem.

"Estou dizendo a verdade, Addy. Se eu encontrar o meu companheiro amanhã, teremos que acasalar rapidamente também. Eu não inventei as regras!"

Eu balanço a minha cabeça. "Nunca ouvi falar disso. Meus pais nunca mencionaram e eu nunca li... Por que nossa professora não nos contou?"

A Myra vai até uma estante, examinando rapidamente os livros. Ela pega um, folheia-o e me entrega. Eu leio a passagem que ela aponta.

~ Depois que uma loba encontra o seu companheiro, seu ciclo de cio começa em cerca de um mês. Se ela e seu companheiro tiverem relações íntimas antes de começar, apenas o homem certo será afetado. Se eles não acasalarem, todos os machos não acasalados serão atraídos por ela.~

"Você tá dizendo que os homens aqui vão me atacar? Eles vão me forçar a fazer sexo com eles, mesmo sendo a futura Luna da matilha?" Eu pergunto, olhando do livro para eles.

O peito de Drake ronca com um grunhido baixo. "Essa é a única coisa pela qual não posso impedir o meu lobo de matar. Uma coisa dessas desencadeia os lobos, e o lado humano não consegue controlá-lo, não importa o quanto tente. Eu te disse que teríamos que acasalar em cerca de um mês, e é por isso," diz ele, apontando para a página que acabei de ler.

Estreito os olhos para os dois. "Vai ter que esperar. Eu disse pro Drake que ainda não tô pronta pra essa etapa."

Ele levanta as mãos, em sinal de rendição. "Eu não quero forçar você, Addy. Estamos só dizendo o que o seu futuro reserva, agora que nos encontramos. Vou esperar o tempo que for preciso, mas só vai dar pra ser cerca de um mês, se não menos. Não quero estar no meio de machos tentando acasalar com você quando isso acontecer, enquanto luto contra todos eles, tentando te manter segura. Será uma guerra total entre os homens que tentam chegar até você. Já vai ser difícil controlar o Diego, mas não quero ter que lutar contra todos os meus amigos no processo. Espero que você entenda o meu ponto de vista. O Diego matará qualquer um que tentar te atacar, e me sentirei horrível se eliminar os membros da minha matilha."

Solto uma lufada de ar, minhas bochechas incham. "Droga. Eu entendo. Temos cerca de um mês antes que isso aconteça, o que me dá bastante tempo pra ficar mais confortável pra concluir o ritual."

Eles trocam um olhar que não entendo. A Myra se levanta e caminha em direção à porta. "Vou pra cama. Foi um longo dia e amanhã vai ser intenso. Durma um pouco, Addy; Te chamo amanhã de manhã pra se preparar pra festa. Já tenho tudo preparado pra nós."

Eu aceno para ela. "Espera, você vai me deixar aqui?"

Ela sorri. "Sim, não vou dormir com vocês dois no quarto do meu irmão. Minha cama tá me chamando."

Ela gira a maçaneta e sai, me deixando parado no meio do quarto, torcendo as mãos. Eu me pergunto o que vai acontecer agora. Eu pulo quando sinto um material macio tocar o meu braço.

"Aqui, você pode usar isso pra dormir hoje à noite, se quiser," diz ele, segurando uma longa camiseta azul escura. "Acho que você ainda não tá pronta pra usar os itens que compramos na loja. Não me importo se você usar as minhas roupas, elas vão ficar ótimas em você.

Minhas bochechas esquentam ao pensar em todas as coisas sensuais que ele comprou na loja. Pego a camisa da mão dele e entro no armário, pegando um short de pijama macio que compramos antes de ir para o banheiro. Tiro as roupas que usei nas reuniões e as coloco no balcão para reutilizar mais tarde. Mantendo o meu sutiã e calcinha, coloco o short e a camisa antes de voltar para o armário, para pendurar o vestido. Ele está encostado na cabeceira da cama, sob as cobertas, seus olhos brilham quando me vê de camisa. Ela desce até os joelhos, cobrindo o short que estou usando. Ando até o lado da cama onde ele não está deitado, meus dedos agarram as cobertas macias e puxam lentamente para trás. Meu joelho bate no colchão macio enquanto rastejo. Arrumo meus travesseiros e deito, afundando em uma suavidade que nunca experimentei antes. A cama balança conforme ele se move, seu braço passa pela minha cintura e me puxa para perto de seu peito. Seu calor me envolve e meus olhos começam a se fechar. Sei que ele não fará nada enquanto eu estiver dormindo e temos um mês para acasalar.

~Isso é o que você pensa,~ a ~Mystic sorri enquanto se aconchega.

~O quê?~ ~Tento descobrir por que ela disse isso, mas seus olhos se fecham e ela não responde.

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